
Tinhamos naquela época 11 disciplinas na 1ª série ginasial, Latim era uma delas.
A aula começava cedinho e todos sabíamos que não podíamos brincar em serviço, era muita matéria para estudar e sabíamos também da importância delas.
No inverno Venceslau congelava, mas...estávamos lá firmes e determinados no "Ginásio Antonio Marinho de Carvalho Filho".
Bem, vocês podem estar pensando, o que tem a ver o ginásio com "O porquinho", matando a curiosidade, susurrando cá ao pé do ouvido, revelo: era o meu professor de Latim.
Advogado, compententíssimo, inteligente, curriculum invejável, mas... uma "casca de ferida brava". Todos os dias fazia chamada oral, abria o livro didático em qualquer página, descia o dedo na lista de chamada e ...o sorteado(a) que provavelmente estava debaixo da carteira, tinha que caminhar até a sua mesa e começar a declinar as "puella,ae" da vida. Era um horror.
Fizemos greve, o seu enterro, com caixão e tudo. A passeata, foi um barato, percorremos as principais ruas da cidade, com o aval dos comerciantes e de toda a população. Foi um sucesso.
Mas só teve um probleminha: o bendito continuou dando aula por muito e muito anos, e nós...e outras gerações assistindo.
Porém, tenho que confessar uma coisa, aprendí Latim, todas as declinações, os casos, as análises, o livro todo, ele sabia o que estava fazendo.
Obrigado, professor Daniel.