domingo, 13 de janeiro de 2008

O Ouro Verde












Embarcar no ouro verde até São Paulo, com destino ao Rio de Janeiro, nas férias de dezembro todos os anos, era uma aventura que até hoje, sinto o momento.

_ A mesinha é miiiinha.
_ Não é não, desta vez é minha.
_A cama de cima vai ser só para mim.
_ Até parece...!!!!??????
_Vamos colher maria pretinha, para jogar na boca dos vendedores de uvas????
_Vaaaaamos!!!!!

Os dias que antecediam a viagem eram um tumulto só, mamãe ficava atordoada. 
Chegada a hora, na estação de Presidente Venceslau o Ouro Verde partia pontualmente, com destino à São Paulo.  Em  Presidente Prudente a baldeação para o vagão dormitório era o momento esperado com ansiedade, entrávamos em um parque de diversões.
Papai comprava duas cabines que tinham comunicação, e um leito separado em outra cabine, porque a quantidade de filhos exigia. Eram beliches com camas largas e confortáveis, mais à vontade, vestíamos os pijamas para não amassar as roupas. Tudo era fuçado, apertado, espionado, não ficava um botão sequer sem a devida fiscalização,  de luz, de ventilação, para cima, para baixo, para os lados, nos detalhes. Era um vai e vem de perninhas subindo e descendo das camas, que só depois de tudo conferido, exaustos, o sono vencia  ao som do patati...patatá...patati...patata.

Era uma festa ir ao vagão restaurante, e papai fazia questão de nos levar. Mamãe ficava com os menores, e os camareiros serviam as refeições na cabine.

As gracinhas do papai eram esperadas e divertidas, mas o medo era constante também. Ele descia em todas as estações e continuava na plataforma mesmo com o trem em movimento para nos impressionar. Todos ficávamos gitados até ele aparecer como se nada tivesse acontecido. Fazia sempre isso, era uma figura.

A apoteose, depois de uma viagem repleta de emoção, era a estação Júlio Prestes, deslumbrante, linda, majestosa. Lembro bem, eu ainda criança a admirava pela gigantesca arquitetura, imponente e bela, nada semelhante em Venceslau.

Ahhh!!!!!! Como era bom viajar no Ouro Verde.

7 comentários:

Lidiane Martins disse...

Tem dias que essas lembranças infantis me assaltam a alma e eu me pego sempre a cantar.

Uma saudade boa, né?

Beijo, querida.

Lidiane Martins disse...

P.S.: Vi no teu perfil que também és ariana. De que dia?

Maria Helena disse...

Lidiane,
Obrigado pela visita.
São lembranças saudáveis, que nos faz rir e chorar ao mesmo tempo ao recordá-las.
Sou do dia 11 de abril, dizem que sou mandona, que chego organizando tudo onde quer que seja, porque será heim?????rsrsrsrsr....
Bjs

Vivien Morgato : disse...

Eu adoro essa história...só de pensar em viajar com sete filhos,me dá aflição...rsrs
beijos.

Maria Helena disse...

Vivinha,
Sete...porque o oitavo já estava no Rio.
Era muito divertido.
Bjs

Rosamaria disse...

Como tua mãe, minha sogra, com 10 filhos, era um santa! Mas como é bom termos lembranças da infância, né, Maria Helena?

Bom fim de semana!
Bjim.

Maria Helena disse...

Rosamaria,
Ela era a santa mais organizada e caprichosa que já conhecí. Não sei como conseguia cuidar dos filhos com tanto mimos.
As lembranças da infância e adolescência tem um sabor especial
Bom final de domingo.
Bjs