
Nessa foto falta o irmão caçula, mas naquela época era bebê, não entrou na história.
As lembranças da infância invadem nossas mentes de forma tão cristalina, que chega a nos dar a sensação de que acabou de acontecer.
Aguardávamos as férias, conforme já relatei em "A Batalha de Mamona" postada em 27/11/2007 , com uma ansiedade que doia. Tia Lourdes e José Carlos meu irmão mais velho, chegava em Venceslau para completar nossa felicidade.
Tia Lourdes com seu eterno auto astral, nos deixava eufóricos com os presentes que trazia do Rio e a abertura da mala era aguardada com entusiasmo. Meu irmão era um ídolo para nós, e um orgulho para meus pais, a sua chegada nos enchia de alegria e a certeza que teríamos um mes de brincadeiras, de contos... de cantos, de muito lazer e prazer.
Mamãe se esmerava na arrumação da casa, e papai fazia o melhor para não faltar nada na despensa.
A nossa história é sobre uma linda e apetitosa melancia.
E foi assim...
Papai comprou uma melancia, e deu a tarefa de cortá-la para nosso famoso visitante, o próprio, o irmão mais velho. Nossos olhares se cruzaram porque aquilo significava problema, não seria uma boa idéia, era sabido que ele iria aprontar. Estávamos certos.
De soslaio e rindo muito nos disse:
_ Estou cortando a melancia ao meio, estão veeendo??? Aprendam como estou fazendo.
Ocasião propícia para desenvolver seu lado professor e nos ensinar a metodologia de se cortar uma melancia.
Lançou um olhar, muito nosso conhecido, um olhar que nos dava a certeza que, seríamos enganados. Mas nada era possível fazer diante de um mestre tão perfeito.
Atentos, e em volta dele, aguardávamos a nossa dita parte.
Uma das metades foi divididas melimétricamente em partes iguais e distribuidas. Recebemos e saboreamos a fruta deliciosa.
_ Terminei, quero mais disse.
_ Ah...é?????? Vem pegar???????
Com um sorriso malandro, pegou a outra metade da melancia e saiu correndo. Corremos atrás dele, rindo e gritando, numa algazarra que fazíamos com categoria. Afinal eramos muitos.
Certos momentos parava, olhava, fingia que comia, para nos dar vontade, e corria novamente num gesto provocativo, instigante. Corríamos de um lado para o outro, tropeçava, caia, levantava e corria, até o cansaço dominar.
Depois dessa corrida e luta insana, jogamos a toalha, nossas perninhas não aguentavam mais.
Então, nosso protagonista sem pressa, bem devagarinho, e cheio de moral, foi dividindo melimetricamente em partes iguais a outra metade da melancia mais disputada da história.
Ação realizada por um amor fraterno intenso, com tempero de ternura.
Uma figura incrível, carismática, e muito amado, mil beijos para ele.