Em um domingo, numa tarde gostosa de primavera, lá loooonnge em 1964, o Toninho pediu a minha mão para namorar.
Estava tudo pronto. A casa arrumada, meus pais alinhados, eu empetecada, a espera do príncipe.
O príncipe, que de nobre não tinha nada, mas o peito estufado, na branca camisa volta ao mundo, dissimulando coragem, chegou.
A "mulecada" e o Zeca, meu primo que passava uns dias em casa, estavam avisados que deveriam permanecer trancados na cozinha, até segunda ordem , sob punição .
A princípio tudo correu bem, sentados na sala de estar, meu pai, minha mãe, o Toninho e eu, conversávamos fiado sobre o tempo, televisão, assuntos banais, nada importante.
As horas foram passando, passando...e nada.
Comecei as roer as unhas, a comer os dedos, quando de repente... num tom formal, começou o pedido. Coitado, lembro com compaixão daquele momento, suava em bicas, em tempo algum ví coisa igual, borbulhas de suor brotavam de sua testa, e nada estancava.
Engasgado e suando, sua voz soou mais fraca que o trinco da porta da cozinha. Arrepiei, não deu outra, o Zeca com um penico nas mãos (é verdade, um penico), calmamente atravessou a sala, e subiu as escadas assobiando. Oh my God????? Essa abertura foi tudo que a galera queria, e num vai e vem de bacia, balde, vassouras, risos, cochichos, se instalou a mais perfeita algazarra.
Diante dessa confusão, o papai, normalmante cheio de formalidade e cerimônia, resolveu encerrar o pedido, entregando a mão, o pé, tudo. Era pegar ou largar naquele momento. Pegou.
Nesse 13 de setembro próximo passado fizemos 44 anos de namoro.
O bolo estava delicioso.
Hoje lembramos com muito bom humor dessa data, e o José Botelho, nosso Zeca, é um dos meus primos, que o Toninho mais gosta.
15 comentários:
Linda historia de amor que ta durando eternidade...parabens pra vcs. Um beijo !
me
Elena,
Obrigado. O tempo passa mas alguns momentos ficam impressos na nossa memória. É tão bom recordar esses momentos.
Bjs
Mãe, eu lembro desta história como se tivesse lá... kkkk..
É engraçado isso... fazer parte de história se nem ao menos existíamos.
beijos
te amo muito
Ricardo,
São os "causos" da família,contados
e recontados.hahah srs. Entretanto,
é uma observação interessante.
Bjs
Mamãe
Bons tempos aqueles...
Magui
Verdade...bons tempos.
Bjs
Maria Helena, que história linda! Não importa o tempo que passou. Quando essas histórias ficam na memória e as pessoas gostam de recordá-las, é porque o casamento deu certo e há felicidade. Parabéns para vocês e que esse namoro dure ainda por muitos e muitos anos.
A Nina e eu completaremos os 44 anos de namoro no próximo dia 14 de dezembro. E, para nós também, é uma delícia recordar aquele início, lá em 1964. Parece que foi ontem...
Abração.
hahahaha
Adorei tua estória, Maria Helena!
O meu não disse nada que ia pedir, aproveitou que eu saí da sala pra servir um aperitivo pra ele e meu pai e qdo voltei já tava tudo combinado. Fiquei fula da cara por ele não ter me avisado antes.
Foi em 29 de dezembro de 1963, século passado, hehehe.
Felicidades sempre pra vocês!
Bjim.
JF
Obrigado,
Pois é...parece que foi ontem, rsrs
Entretanto a vida, não transcorreu nesse mar de rosas não,foram vários
os momentos de dor, mas...ainda andamos de mãos dadas.
É recordação boa, e deve ser lembrada.
Abração.
Rosamaria,
O seu pedido foi de sopetão???hahah
Parece que foi ontem, heheh, mas nossas lembranças estão lá no século passado.
Beijão querida.
kkkkkkkkkkkkk.....mãe, adoro essa história, o texto ficou ótimo!!
eu já imagino a cara do Zeca com penico na mão...hahahahh
Vivinha.
Foi engraçada mesmo...hahahah, e o papai suando em bicas????...hehehh
....rsrsrs.
Bjs
Oi, Maria Helena.
Acho que casamento sem dificuldades é porque tem alguma coisa errada. O que vale, mesmo, é superar todas as dificuldades e continuar amando. E de mãos dadas!
Abração.
JF
Um pedido de namoro, nos idos tempos, passa a ser história, lembranças.
Porem o casamento é real,que permanece com todas as dificuldades.
abração
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