
Estava lá, deitada naquela cama de hospital, em um box da UTI. Pouco restava dela ou quase nada, um fiozinho de vida regulada pelos aparelhos, sumia a cada olhar.
Será que me ouvia????? Será que sentia o calor da família, do filho mais velho à bisneta mais nova, revezando???? Acho que não.
Sofreu muito, muito, mas não ficou um instante sequer sozinha, todos estávamos ao seu lado. Sem falar, sem tocar, sem ao menos nos ver, despediu-se de todos.
Sua vida rodeada de muita gente, demonstrava que o medo da solidão era constante e intenso , e desse medo um pouco ficou comigo.
Foi feliz ao longo da vida, alegre, amada pelo marido, filhos, netos, mimada pelos irmãos, em especial por duas irmãs que doaram suas próprias vidas em favor dela, dos filhos e amada pelos sobrinhos e afilhados. Apesar dos espinhos, dos caminhos tortuosos, das escolhas por vezes erradas , das dificuldades, da luta, da raiva pelas injustiças, essa... era a vida que fluia, essa... foi a vida que escolheu.
Alí, naquele leito, naquele momento, nada pude fazer, nem chorar, para não enfraquecer sua passagem, seu caminho para a luz.
Ela se foi, naquela quinta-feira de agosto, numa tarde aguourenta. Nos deixou para sempre.
Sinto a sua falta, a falta da ajuda, da presença, da voz, do zêlo, do amor imenso.
Mamãe, lembra dos dias das mães lá em Venceslau????? Voce sabia!!!! Sabia que a fileira de filhos, cantando e tocando, ia aparecer naquela porta do quarto, para presenteá-la, dessa forma não arredava o pé da cama.
Todos os anos, proporcionávamos essa alegria tão singela, mas carregada de emoção e amor.
Saudades... sua única filha