
Parada, imóvel, sem ação, assim o ví sumindo pelos corredores.
Parecia forte, seguro, Homem macho de uma geração que não chora. Mas, os nossos 42 anos em comum, me mostrava um menino amendrontado, vulnerável e aterrorizado pelo desconhecido.
Jamais teve uma gripe mais forte sequer, entretanto um câncer de próstata sem aviso chegou.
Através da porta do centro cirúrgico, eu e Deus rezávamos por ele. Fora, uma legião de amigos e parentes faziam o mesmo.
A operação propriamente dita poderia ter corrido normal com sucesso, não fôra por uma falta de oxigenação, parecida a uma crise aguda de asma, que o levou a UTI entubado e com aparelhos que me causam arrepios. Graças a Deus e aos médicos tudo foi controlado.
A equipe médica do Hospital dos Servidores, na área da Urologia, demonstrou não apenas competência , mas humanidade. Perspicaz e observador, o médico da UTI, percebendo o meu desespero e da família, assim que retirou o tubo e os aparelhos, nos chamou para que pudéssemos ver que ele já estava consciente. Tirou com as mãos um sofrimento que iria se alastrar noite afora.
Em casa, já recuperado do medo, espera os resultados e o tratamento, que deve seguir adiante.
