
Parada, imóvel, sem ação, assim o ví, sumindo pelos corredores do hospital. Parecia forte, seguro, homem macho de uma geração que não chora. Mas, os nossos 42 anos em comum, me mostrava um menino amendrontado, vulnerável e aterrorizado pelo desconhecido.
Jamais teve uma gripe mais forte sequer, entretanto um câncer de próstata sem aviso chegou.
Através da porta do centro cirúrgico, eu e Deus rezávamos por ele. Fora, uma legião de amigos e parentes faziam o mesmo.
A operação propriamente dita poderia ter corrido normal com sucesso, não fôra por uma falta de oxigenação parecida a uma crise aguda de asma, que o levou à UTI entubado e com aparelhos que apitavam, som conhecido em outros familiares, que me causaram arrepios. Graças a Deus e aos médicos tudo foi controlado, solucionado.
A equipe médica do Hospital dos Servidores, na área da Urologia, demonstrou não apenas competência , mas humanidade. Perspicaz e observador, o médico da UTI, percebendo o meu desespero e da família, assim que retirou o tubo e os aparelhos, nos chamou para que pudéssemos ver que ele já estava consciente. Tirou com as mãos um sofrimento que iria se alastrar noite afora.
Quando entrei, o médico disse:
_ Antonio, vc reconhece quem acabou de entrar????? Ele respondeu:
_ Claro...é a minha gata.
Estava de volta.
Quando entrei, o médico disse:
_ Antonio, vc reconhece quem acabou de entrar????? Ele respondeu:
_ Claro...é a minha gata.
Estava de volta.
Em casa, já recuperado do medo, a certeza de um longo tratamento que deve seguir adiante.