
No saguão de um órgão público de Campinas, havia uma ávore de natal.
Dessas, que não tem enfeites brilhantes, coloridos, chamativos, que representam um natal farto e alegre. Era uma árvore simples, opaca, sem brilho, sem laçarotes, nenhum colorido, mas repleta de cartões. Impressos alí, estavam todas as esperanças que uma criança pode querer do Papai Noel. A felicidade, o desejo de receber um presente, uma bonequinha, um carrinho , quem sabe um carinho, talvez um beijo.
Recolhi dois apenas, mas com o coração cheio, para abraçar aquela árvore.
Dois, de uma mesma instituição, um menino de 6 anos, e uma menina de 4 anos, ambos não fizeram nenhum pedido específico. Porem devem estar sonhando, pensando, fazendo planos.
Desejo preencher o natal dessas crianças, com muitas alegrias.
Tinha um cartão de um adolescente de 15 anos, que pediu um chinelo. Um chinelo???? Fiquei parada, sem fala, para ter certeza se era mesmo um chinelo, o pedido de natal.
Por alguns minutos, sentí meu coração disparar. Era comoção.
Tudo que ele pediu de natal... um chinelo. Por um motivo maior, não pude tirá-lo, porque fui chamada ao atendimento que me levou àquela repartição, quando voltei o pedido já tinha sido retirado.
Pensei, como a gente blasfema, desvaloriza a própria vida, e desconhece o real motivo para isso.
Farei deste natal, aos meus afilhados adotivos, um dia muito feliz e inesquecível.