
Morávamos em uma casa que parecia uma chácara, de tão grande o quintal. As duas mangueiras além de abastecer toda a família, com suas deliciosas mangas espadas, serviam de puleiro para as galinhas. A minha Jandira, carijó robusta e preguiçosa, era a primeira a subir e se aninhar. Parar na panela ???? nem pensar.
Os pés de mandioca, plantados por papai, forravam quase todo o quintal, estavam grandes e viçosos.
Os pés de mandioca, plantados por papai, forravam quase todo o quintal, estavam grandes e viçosos.
As férias de julho chegaram.
Tia Lourdes já havia passado um telegrama, avisando que chegariam no início do mês. José Carlos, o meu irmão mais velho, morava com ela no Rio, e passava as férias em casa.
Como não sabíamos a data certa, íamos à estação todos os dias no horário do Ouro Verde.
Ao longe, quando o trem fazia a curva, a esperança de ver aquele lencinho voando, nos deixava ansiosos. Ao vê-lo, corríamos pulando e gritando pela plataforma, tia Lourdes gostava dessa recepção e ficava feliz em nos ver. Trazia presentes para todos. Costureira de muitos anos de uma requintadas e tradicional loja em Copacabana, infantil e juvenil, costurava os modelos mais lindos e modernos para mim, que faziam o maior sucesso em Venceslau.
Foi numa dessas férias, que travamos a maior batalha de mamona de todos os tempos.
As idades variavam de 17 até 4 anos, porque nessa... o raspinha tinha apenas 1 ano, e não participou.
A pantação de mandioca, parecia... no faz de conta, uma floresta imensa. Começou a batalha, era só mamona que voava, e eu, atrás de uma das mangueiras, mandando mamonada em todas as direções, recebí uma no meio da testa, que só não saí chorando...porque era a única menina nas paradas, precisava vencer. Ao cair da noite, mamãe aos berros, nos colocou para dentro. Venceslau fazia muito frio nessa época do ano, e mesmos aquecidos com tantos exercícios, resolvemos terminar a guerra e entrar vivos e felizes.
No dia seguinte fomos ver os estragos. Todos os pézinhos de mandioca, jaziam na chãããõ, papai quando chegou e viu aquela destruição, falou como de costume:
_ Eu não sei onde que eu estou que não dou uma coça em voces.
Era só conversa fiada, coça mesmo nunca vimos, nem sentímos, ainda mais, com tia Lourdes como escudo.
Essa história é sempre contada, recontada para filhos netos e nas rodas de sempre.



